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26.12.11

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

Pablo Neruda

(Retirado de: Cem sonetos de amor)

15.12.11



Nesse mundo redondo,


eu tenho meu espaço quadrado,


onde me escondo quando me sinto chata.

11.12.11

Enquanto todos me enxergam por inteira,
no meu espelho quebrado vejo a metade do que sou.

Em cacos quebrados veja a minha imagem refletida.

Não sou apenas uma.
Sou inúmeras.

6.12.11


Espírito um tanto cheio,
um tanto vazio.
Como um copo pela metade.

Mas a alma.
Ah, esta , está cheia.
Cheia de vontade.

4.12.11

Poema de quatro mãos.
Ano de 2006.

(Apenas a primeira estrofe é minha. O resto pertence ao meu amigo Ivan Costa, que lindamente completou com suas palavras. )

"E lá estavam os dois, caminhando no silêncio de suas almas...
De repente ela se viu só.
Era a despedida.
Ele partiu...

Restaram lágrimas e lembranças.
Saudade também existiu, mas porque era inevitável.
As lágrimas eram porque poderia ter sido melhor e as lembranças,
apesar das boas, prevaleciam as ruins.
Mesmo assim, se viu só.
Ele partiu...

Não precisava entender o que era o amor.
Só queria ele ao seu lado...
mas ele partiu.

Seu coração,
que parecia tão forte como uma pedra,
também partiu.

E ela, que não podia ficar parada,
deus as costas e também partiu.

Partiu para uma outra vida e parte do seu passado,
tentou apagá-lo. Mas ela não era tão forte como pensava.
Não existiam cortes curados, apenas cicatrizes que ficariam para sempre.

Bem que tentou, mas não conseguiu.
Caíu. Lentamente, tudo voltava em sua mente.
Toda história linda e maravilhosa que ela não queria mais.
Dormiu.

E quando acordou, ficou desesperada: Ele partiu..."

2.12.11



Eu falo pouco e não é à toa.


Eu falo pouco porque


na verdade eu falo demais.





E então eu acho melhor não falar.


Pois eu tenho amor à minha língua.





E também não quero ver minha


cabeça pendurada pra exemplo.





Pois no meu pescoço eu já tenho a


marca do golpe.